

Como usar este guia
- Está tudo misturado hoje: comece pelo capítulo 3 (o teste) e vá para o capítulo 20 (o plano de 30 dias).
- Quer saber como tirar o dinheiro da empresa: capítulos 7, 8 e 9.
- Tem dúvida sobre o que a empresa pode pagar: capítulos 10 e 11.
- Quer ver números: capítulo 18.
- É plantonista ou tem renda variável: capítulos 13 e 14.
O guia em 2 minutos
- Duas contas, no mínimo: uma PJ, que recebe tudo o que a empresa fatura, e uma PF, que recebe as suas retiradas.
- Faturamento de CNPJ entra em conta de CNPJ: sem exceções, inclusive o Pix do paciente particular.
- Duas formas de retirar: pró-labore todo mês, com INSS e IR, e lucros, isentos até R$ 50 mil por mês por empresa.
- A empresa paga só o que é da atividade: impostos, consultório, equipe, cursos, sistemas, contabilidade.
- Separe os impostos a cada recebimento, numa reserva dentro da própria conta PJ.
- Contabilidade completa permite distribuir todo o lucro com isenção; sem ela, há um limite menor.
- Nada de cartão da empresa para gastos pessoais: isso é distribuição disfarçada de lucros.
1. Por que separar as finanças é obrigatório para o médico PJ
Misturar o dinheiro da pessoa física com o da empresa é um dos erros mais comuns, e mais caros, na vida financeira do médico PJ. Receber plantão na conta pessoal, pagar a escola dos filhos com o cartão da clínica, usar o CNPJ para gastos de supermercado: tudo isso parece inofensivo no começo, mas abre a porta para:
- problemas com a Receita Federal, que cruza notas, contas bancárias e declarações;
- pagamento de mais imposto do que o necessário;
- perda da isenção sobre os lucros, quando a contabilidade não consegue comprovar o que é lucro;
- dificuldade total de saber se o consultório dá lucro ou prejuízo;
- risco de a empresa ser desconsiderada e os seus bens pessoais responderem por dívidas da empresa.
Separar as finanças não é um luxo de empresa grande. É a base para pagar menos imposto de forma legal, ter segurança com o Fisco e crescer com números confiáveis.
Por que o médico corre mais risco
Médicos costumam ter várias fontes de renda ao mesmo tempo: plantões como PJ, um vínculo CLT, atendimentos como autônomo, convênios, pacientes particulares, aulas e palestras. Se tudo cai na mesma conta e é gasto sem critério, você perde a visão do que é renda pessoal, do que é faturamento da empresa e de quanto realmente sobra no fim do mês. Se ainda está decidindo como trabalhar, veja o guia completo do médico PJ.
2. O que a lei diz sobre misturar PF e PJ
A empresa e o sócio são pessoas diferentes para a lei. Essa separação é o que protege o seu patrimônio pessoal das dívidas da empresa e o que permite que a empresa pague impostos menores que a pessoa física. Quando ela some na prática, três problemas aparecem:
- Confusão patrimonial: quando não dá para distinguir os bens e o dinheiro da empresa dos do sócio, o juiz pode desconsiderar a personalidade jurídica e cobrar dívidas da empresa no patrimônio pessoal (Código Civil, art. 50).
- Distribuição disfarçada de lucros: despesas pessoais pagas pela empresa podem ser tratadas pela Receita como retirada de lucros sem registro, com cobrança de imposto e multa (Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 9.580/2018).
- Rendimento sem origem: dinheiro de notas da empresa que aparece na conta pessoal pode ser tratado como renda de pessoa física não declarada, tributada em até 27,5%.
Outra regra importante: a empresa com débitos federais em aberto, sem garantia, não deve distribuir lucros aos sócios, sob pena de multa (Lei 4.357/1964, art. 32). Manter as obrigações em dia faz parte da organização financeira.
3. Teste: você está misturando PF e PJ?
Responda com sinceridade:
- Recebo pagamentos de hospitais, clínicas ou pacientes na conta pessoal (CPF)?
- Pago o aluguel do consultório e a escola dos filhos pela mesma conta?
- Meu pró-labore não está definido ou muda todo mês sem controle?
- Uso o cartão da empresa para gastos pessoais?
- Transfiro dinheiro da PJ para a PF sem saber se é pró-labore ou lucro?
- Não sei dizer qual foi o lucro da empresa no mês passado?
- Nunca conversei com o meu contador sobre distribuição de lucros e Fator R?
- Não tenho uma reserva separada para os impostos?
Se respondeu “sim” a 3 ou mais perguntas, as suas finanças estão em risco. O plano de 30 dias do capítulo 20 resolve a maior parte desses pontos.
4. A estrutura de contas que funciona
| Conta | Recebe | Paga |
|---|---|---|
| Conta PJ (operação) | Todo o faturamento da empresa: hospitais, clínicas, convênios, pacientes | Impostos, despesas da atividade, pró-labore e lucros |
| Reserva de impostos (dentro da PJ) | Um percentual de cada recebimento | O DAS ou as guias do Presumido no vencimento |
| Conta PF | Pró-labore, lucros, salário CLT e outras rendas pessoais | Todas as despesas pessoais e da família |
| Investimentos | O que sobra, na PF ou na PJ | Reserva de emergência e objetivos de longo prazo |
A reserva de impostos pode ser uma subconta, um “cofrinho” ou uma aplicação de liquidez diária na própria conta PJ. O importante é que o dinheiro do imposto não seja gasto.
5. Como escolher a conta PJ
Para o médico PJ, bancos digitais costumam funcionar muito bem e cobram tarifas baixas ou nenhuma. O que observar:
- Tarifas: não faz sentido pagar mensalidade alta por uma conta que só recebe e transfere.
- Pix e boletos: para receber de pacientes particulares e de clínicas.
- Extrato para a contabilidade: exportação em OFX ou integração automática.
- Maquininha: se você atende particulares no consultório, com a liquidação na conta PJ.
- Subcontas ou cofrinhos: para a reserva de impostos.
- Cartão PJ: para as despesas da atividade, separado do cartão pessoal.
Nos planos da Move, a conta digital PJ é gratuita. Veja os planos da Move Online.
6. O caminho do dinheiro, do plantão à sua conta pessoal
- Você atende no hospital, na clínica ou no consultório.
- A empresa emite a nota fiscal para o tomador ou para o paciente. Veja NFS-e Nacional 2026.
- O pagamento cai na conta PJ, às vezes com retenções de ISS, IR ou contribuições.
- Você separa a reserva de impostos assim que o dinheiro entra.
- A empresa paga as despesas da atividade: consultório, equipe, sistemas, contabilidade.
- No dia combinado, a empresa paga o pró-labore para a sua conta PF, com INSS e IR descontados.
- A empresa paga os impostos do mês no vencimento.
- O que sobra é lucro e pode ser distribuído para a sua conta PF.
Repare que nenhuma etapa usa a conta pessoal para receber da atividade ou para pagar despesas da empresa. É isso que mantém tudo rastreável.
A Receita enxerga as suas contas
Os bancos informam à Receita, pela e-Financeira, as contas com movimentação mensal acima de R$ 2 mil (pessoa física) ou R$ 6 mil (pessoa jurídica). Se a empresa emitiu R$ 20 mil em notas no mês, mas a conta PJ está zerada e a conta pessoal recebeu R$ 20 mil, o cruzamento aponta inconsistência. É uma das origens mais comuns de malha fina para médicos.
7. Pró-labore: o seu salário de sócio
O pró-labore é a remuneração mensal do sócio pelo trabalho na empresa. Ele é obrigatório quando você trabalha na empresa e é o que garante a sua contribuição para o INSS.
- Para a empresa: é uma despesa, registrada na folha (eSocial).
- Para você: é rendimento tributável, com INSS de 11% (até o teto, cerca de R$ 930 por mês em 2026) e IR na tabela. Desde 2026, quem recebe até R$ 5 mil por mês fica isento de IR, e há redução parcial até R$ 7.350.
- Valor: no Simples, buscando o Anexo III, em torno de 28% do faturamento para manter o Fator R; no Lucro Presumido, em geral um valor mais baixo. Veja o que é o Fator R.
Como pagar o pró-labore
- Defina com a contabilidade o valor e a data, por exemplo todo dia 5.
- A contabilidade gera o recibo de pró-labore e as guias de INSS e IR.
- A empresa transfere o valor líquido para a sua conta PF, com a descrição “pró-labore”.
- A empresa recolhe o INSS e o IR retidos no vencimento.
Um pró-labore fixo cria rotina e evita o hábito de “puxar dinheiro” da empresa sem critério.
8. Distribuição de lucros: como fazer do jeito certo
Depois de pagar impostos, despesas e pró-labore, o que sobra é lucro, e ele pode ser distribuído aos sócios. É a forma mais eficiente de remunerar o médico PJ, porque é isenta de IR dentro dos limites da lei.
As regras de 2026
- Isenção até R$ 50 mil por mês por empresa e por sócio. Acima disso, a empresa retém 10% de IR sobre o total pago no mês (Lei 15.270/2025).
- IR mínimo anual para quem tem renda total acima de R$ 600 mil por ano, com redutor que considera o imposto já pago pela empresa.
- Lucro comprovado: a distribuição precisa estar apoiada na contabilidade.
Quanto pode ser distribuído com isenção no Simples
Na empresa do Simples sem contabilidade completa, o valor isento é limitado a uma presunção de lucro sobre o faturamento (32% para serviços), descontada a parte de IRPJ paga no DAS. Com contabilidade completa, com balanço e livro diário, é possível distribuir todo o lucro contábil com isenção. No caso de R$ 30 mil por mês do capítulo 18, a diferença é grande: cerca de R$ 9,5 mil por mês sem contabilidade completa, contra cerca de R$ 18 mil com ela.
Como registrar
- A contabilidade apura o lucro do período.
- A empresa transfere o valor para a conta PF com a descrição “distribuição de lucros”.
- A distribuição fica registrada na contabilidade e, quando há sócios, em ata ou documento assinado.
- No fim do ano, a empresa emite o informe de rendimentos com os lucros pagos.
Planeje o fim do ano em distribuição de lucros com a Lei 15.270 e simule na calculadora de lucros.
9. Antecipação de lucros, empréstimos e outras retiradas
Às vezes, você precisa de dinheiro antes de o lucro do período estar apurado. Há três caminhos, cada um com cuidados:
| Forma | Como funciona | Cuidado |
|---|---|---|
| Antecipação de lucros | A empresa adianta lucros durante o ano, com base no lucro esperado | Se o lucro do ano for menor, a diferença pode ser tratada como rendimento tributável |
| Empréstimo da empresa ao sócio | Contrato de mútuo, com prazo de devolução | Precisa de contrato, pode ter IOF e deve ser devolvido de fato |
| Empréstimo do sócio à empresa | Você coloca dinheiro na empresa para cobrir um mês fraco | Registre como empréstimo; a devolução não é rendimento |
O que não deve existir é a transferência sem nome, que não é pró-labore, nem lucro, nem empréstimo. É ela que vira problema numa fiscalização.
10. O que a empresa pode pagar e o que não pode
| Tipo | Onde pagar | Exemplos |
|---|---|---|
| Operacional | Conta PJ | Aluguel do consultório, CRM-PJ, softwares médicos, contador, impostos, equipamentos, materiais, secretária |
| Desenvolvimento profissional | Conta PJ | Cursos, congressos e livros da especialidade |
| Proteção | Conta PJ | Seguro de responsabilidade civil, certificado digital |
| Pessoal | Conta PF | Escola dos filhos, supermercado, delivery, viagens de lazer, prestação do carro da família, plano de saúde da família |
| Misto | Atenção | Celular, carro e combustível: só na PJ se o contrato estiver no nome da empresa e o uso for profissional comprovado |
No Simples e no Lucro Presumido, os impostos incidem sobre o faturamento, e não sobre o lucro. Por isso, pagar uma despesa pela empresa não reduz o imposto da empresa. O ganho está em organizar o caixa e comprovar o lucro que será distribuído. Veja o que o médico PJ pode deduzir.
11. Zonas cinzentas: carro, celular, home office e viagens
Carro
Só faz sentido na empresa se for usado de forma predominante na atividade (deslocamento entre hospitais, por exemplo) e estiver no nome da empresa. O carro da família deve ficar na pessoa física. No Simples e no Presumido, ter o carro na empresa não reduz imposto e pode complicar a contabilidade.
Celular e internet
Uma linha no nome da empresa, usada para pacientes e hospitais, pode ser paga pela PJ. A linha pessoal, não.
Home office
Se você atende por telemedicina em casa, parte das despesas pode ter relação com a atividade, mas o rateio precisa ser razoável e documentado. Na dúvida, pague na pessoa física.
Viagens e congressos
A inscrição, a passagem e a hospedagem para um congresso da especialidade são despesas da atividade. A extensão da viagem para lazer e as despesas da família, não.
12. Reserva de impostos: quanto separar
A forma mais simples de nunca atrasar imposto é separar um percentual de cada recebimento. As referências:
| Regime | Separar do faturamento |
|---|---|
| Simples, Anexo III (com Fator R) | De 6% a 13,5%, conforme a faixa, mais o INSS e o IR do pró-labore |
| Simples, Anexo V | De 15,5% a 19,5%, conforme a faixa |
| Lucro Presumido | Cerca de 13,3% a 16,3% (com ISS de 2% a 5%), mais 20% de INSS sobre o pró-labore |
Quem tem retenções na nota recebe um valor menor, mas o imposto retido é abatido das guias. A contabilidade informa todo mês o valor exato. Salve o calendário de vencimentos.
13. Renda variável: o orçamento do plantonista
O plantonista tem meses fortes e meses fracos, atrasos de hospitais e glosas. Um orçamento que funciona:
- Defina o pró-labore pela média, e não pelo melhor mês.
- Deixe um colchão na conta PJ de um a dois meses de despesas da empresa.
- Distribua lucros depois que o dinheiro entrar, nunca com base em notas ainda não pagas.
- Tenha uma reserva pessoal de 3 a 6 meses de despesas da família, já que não há férias nem 13º.
- Controle cada nota até o pagamento, com data prevista e data real.
Veja o guia de contabilidade para médico plantonista.
14. Pacientes particulares, convênios e glosas
Pacientes particulares
Se você atende pela empresa, o pagamento do paciente, seja Pix, cartão ou boleto, deve cair na conta PJ, com nota fiscal emitida pela empresa e com o CPF do paciente. Esses dados entram na DMED, a declaração anual dos serviços de saúde, e são cruzados com a declaração do paciente. Receber no CPF por um atendimento da empresa gera divergência para você e para o paciente.
Convênios
Os convênios pagam por produção, com demonstrativos e glosas. Confira cada demonstrativo com o que foi faturado, recorra das glosas no prazo e registre o recebimento de cada guia. Veja glosas médicas e split.
Cartão e maquininha
As vendas no cartão devem ter a liquidação na conta PJ. As taxas da maquininha são despesa da empresa, e o valor bruto da venda é o faturamento.
15. O que a contabilidade precisa receber todo mês
- extrato da conta PJ (de preferência integrado);
- notas fiscais emitidas e canceladas;
- comprovantes das despesas pagas pela empresa;
- demonstrativos de convênios e informes de retenção;
- contratos novos (aluguel, equipe, tomadores);
- qualquer retirada fora do padrão, com a explicação.
Com isso, a contabilidade faz a conciliação bancária, apura o lucro e define quanto pode ser distribuído. Uma contabilidade que faz esse trabalho todo mês é o que permite a distribuição isenta de todo o lucro. Veja o checklist para escolher o contador.
16. Imposto de Renda da pessoa física e variação patrimonial
Na declaração anual, o pró-labore entra como rendimento tributável recebido de pessoa jurídica, e os lucros como rendimento isento, ambos com base no informe de rendimentos da sua empresa. A participação na empresa entra em bens e direitos.
A Receita compara a sua renda declarada com o crescimento do seu patrimônio. Se você comprou um imóvel ou fez investimentos com dinheiro que saiu da empresa sem registro como pró-labore ou lucro, a conta não fecha e surge a variação patrimonial a descoberto. Veja variação patrimonial: como evitar a malha fina e Imposto de Renda 2026 para médicos PJ.
17. Reserva, investimentos e aposentadoria
Com as contas separadas, fica mais fácil planejar o futuro:
- Reserva de emergência: de 3 a 6 meses de despesas da família, na pessoa física.
- Caixa da empresa: um a dois meses de despesas da PJ, para meses fracos.
- Investimentos: na pessoa física há produtos isentos que perdem a isenção dentro da empresa. Veja investir no CPF ou na empresa.
- Aposentadoria: o INSS sobre o pró-labore garante uma base; a previdência privada complementa. Veja aposentadoria do profissional de saúde PJ.
- Patrimônio: quando os bens crescem, avalie a holding médica.
18. Três casos em números
Os casos são ilustrativos e aproximados, com um mês típico e despesas simples.
Caso 1: plantonista com R$ 15 mil por mês no Simples
| Item | Valor por mês |
|---|---|
| Faturamento (conta PJ) | R$ 15.000 |
| DAS (Anexo III, 6%) | R$ 900 |
| Pró-labore (28%) | R$ 4.200, com INSS de R$ 462 e sem IR; líquido de R$ 3.738 na conta PF |
| Despesas da empresa (contabilidade, CRM, certificado) | cerca de R$ 600 |
| Lucro disponível | cerca de R$ 9.300 |
Reserva de impostos: cerca de 9% do faturamento. Sem contabilidade completa, o limite isento seria de cerca de R$ 4,8 mil por mês; com ela, os R$ 9,3 mil podem ser distribuídos com isenção.
Caso 2: médico com R$ 30 mil por mês no Simples
| Item | Valor por mês |
|---|---|
| Faturamento (conta PJ) | R$ 30.000 |
| DAS (Anexo III, efetiva de 8,6%) | R$ 2.580 |
| Pró-labore (28%) | R$ 8.400, com INSS de R$ 924 e IR de cerca de R$ 1.147; líquido de cerca de R$ 6.329 |
| Despesas da empresa | cerca de R$ 900 |
| Lucro disponível | cerca de R$ 18.120 |
Reserva de impostos: cerca de 15,5% do faturamento, somando DAS, INSS e IR. Na conta PF entram cerca de R$ 24,4 mil por mês (pró-labore líquido mais lucros), com a contabilidade completa.
Caso 3: casal de médicos com uma empresa de R$ 80 mil por mês no Presumido
| Item | Valor por mês |
|---|---|
| Faturamento (conta PJ) | R$ 80.000 |
| Impostos (Presumido com ISS de 3% e adicional de IRPJ) | cerca de R$ 12.024 |
| Pró-labore dos dois sócios e INSS patronal | cerca de R$ 3.890 |
| Despesas do consultório | cerca de R$ 6.000 |
| Lucro disponível | cerca de R$ 58.000 |
Se todo o lucro fosse pago a um só sócio, passaria de R$ 50 mil no mês e teria retenção de 10%, cerca de R$ 5.800. Com os dois sócios, cada um recebe cerca de R$ 29 mil e não há retenção. É um exemplo de como a organização das retiradas muda o imposto.
19. Antes e depois da separação
| Antes (tudo misturado) | Depois (PF e PJ separadas) | |
|---|---|---|
| Recebimentos | Parte na conta PF, parte na PJ | Tudo na conta PJ |
| Despesas | Casa e consultório na mesma conta | Cada uma na sua conta |
| Retiradas | Transferências sem nome | Pró-labore fixo e lucros registrados |
| Impostos | Pagos com o que sobrar | Reserva separada a cada recebimento |
| Lucro | Ninguém sabe | Apurado todo mês |
| Risco com a Receita | Alto | Baixo |
20. Plano de 30 dias para separar tudo
Semana 1: estrutura
- Abra a conta PJ, se ainda não tiver, e crie a subconta da reserva de impostos.
- Peça um cartão PJ para as despesas da atividade.
- Liste todas as suas fontes de renda e para qual conta cada uma vai.
Semana 2: recebimentos
- Envie os dados da conta PJ a todos os hospitais, clínicas e convênios.
- Configure o Pix e a maquininha do consultório na conta PJ.
- Revise com a contabilidade qualquer valor da atividade recebido na conta pessoal.
Semana 3: retiradas
- Defina com a contabilidade o valor e a data do pró-labore.
- Combine a periodicidade da distribuição de lucros, considerando o limite de R$ 50 mil por mês.
- Avalie a contabilidade completa, se você retira muito lucro.
Semana 4: despesas e controle
- Transfira para a conta PJ os débitos automáticos da atividade e para a PF os pessoais.
- Comece o controle de notas, recebimentos e despesas.
- Marque uma revisão mensal de 15 minutos com os números do mês.
21. Várias fontes de renda: CLT, PJ e autônomo ao mesmo tempo
É comum o médico ter um vínculo CLT num hospital, plantões como PJ em outros e alguns atendimentos como autônomo. Cada fonte tem o seu caminho:
| Fonte | Onde cai | Como declara |
|---|---|---|
| Salário CLT | Conta PF | Rendimento tributável com informe do empregador |
| Plantões e atendimentos pela empresa | Conta PJ | Faturamento da empresa, com nota fiscal |
| Atendimentos como autônomo | Conta PF | Carnê-leão mensal e declaração anual |
| Pró-labore e lucros | Conta PF (vindo da PJ) | Tributável e isento, com informe da empresa |
O cuidado é não misturar os caminhos: um atendimento faturado pela empresa não pode ser recebido como autônomo, e vice-versa. Também vale lembrar que o INSS do CLT e o do pró-labore somados respeitam o teto da Previdência.
22. Sociedade entre médicos: caixa e despesas em comum
Quando vários médicos dividem uma empresa, a separação fica ainda mais importante, porque o dinheiro é de mais de uma pessoa. Boas práticas:
- Uma conta PJ da sociedade, com acesso e regras definidos.
- Produção de cada sócio registrada, quando a divisão de lucros é proporcional à produção.
- Despesas comuns rateadas conforme o contrato social: aluguel, secretária, sistemas.
- Distribuição de lucros documentada, com o valor de cada sócio. A divisão desproporcional ao capital é permitida, desde que prevista no contrato ou em ata.
- Relatório mensal para todos os sócios, com faturamento, despesas e lucro.
Veja sociedade entre médicos: como estruturar sem conflito.
23. Consultório com equipe: folha, fornecedores e contas a pagar
Com consultório e funcionários, a conta PJ passa a ter muito mais movimento. Para não perder o controle:
- Folha de pagamento com data fixa, salários, encargos e benefícios pela conta PJ. No Simples, a folha também ajuda no Fator R.
- Contas a pagar organizadas por vencimento: aluguel, condomínio, energia, materiais, laboratório, manutenção.
- Fornecedores com nota fiscal no CNPJ da empresa.
- Cartão PJ para compras pequenas, com o comprovante guardado.
- Caixa de 1 a 2 meses de despesas fixas, para não depender do pagamento dos convênios no prazo.
Se o imóvel do consultório é seu, avalie alugá-lo para a própria empresa. Veja autolocação.
24. Como montar o seu fluxo de caixa
O fluxo de caixa é a lista de tudo o que entra e sai, com datas. Não precisa de sistema caro: uma planilha com estas colunas resolve para a maioria dos médicos PJ:
| Coluna | O que anotar |
|---|---|
| Data prevista | Quando o dinheiro deve entrar ou sair |
| Data real | Quando entrou ou saiu de fato |
| Descrição | Hospital, convênio, paciente, fornecedor |
| Nota fiscal | Número da nota, quando houver |
| Categoria | Faturamento, imposto, despesa, pró-labore, lucro |
| Valor | Positivo para entradas, negativo para saídas |
| Saldo | O saldo acumulado da conta PJ |
Como usar
- No começo do mês, lance as entradas previstas (notas emitidas) e as saídas fixas (impostos, despesas, pró-labore).
- Ao longo do mês, preencha a data real de cada movimento.
- No fim do mês, compare previsto e real, veja os atrasos e decida o valor dos lucros a distribuir.
Com o fluxo de caixa, você para de olhar só o saldo do banco e passa a saber quanto realmente pode retirar.
25. Indicadores que o médico PJ deve acompanhar
| Indicador | Como calcular | Para que serve |
|---|---|---|
| Faturamento mensal e dos últimos 12 meses | Soma das notas emitidas | Define a faixa do Simples e o regime |
| Carga tributária | Impostos ÷ faturamento | Mostra se o regime ainda é o melhor |
| Fator R | Folha ÷ faturamento, 12 meses | Garante o Anexo III do Simples |
| Margem | Lucro ÷ faturamento | Mostra quanto do faturamento vira renda |
| Prazo médio de recebimento | Dias entre a nota e o pagamento | Ajuda a planejar o caixa |
| Índice de glosa | Glosas ÷ faturamento de convênios | Mostra perdas com convênios |
| Retiradas | Pró-labore e lucros do mês | Controla o limite de R$ 50 mil por mês |
Uma revisão mensal de 15 minutos com esses números já muda a forma de decidir.
26. Crédito: como a separação ajuda a financiar
Bancos analisam o faturamento comprovado, o histórico da conta PJ e, para valores maiores, o balanço da empresa. Com as contas separadas e a contabilidade em dia, fica muito mais fácil conseguir crédito para consultório, equipamentos e imóveis, com taxas melhores. Antes de financiar, compare se a compra deve ser feita pela pessoa física ou pela empresa. Leia financiar consultório próprio: PF ou PJ e score de crédito da PJ médica.
27. Reforma tributária e o caixa: o split payment
Com a reforma tributária, a partir dos próximos anos o imposto sobre o serviço (CBS e IBS) passa a ser separado no momento do pagamento, pelo split payment. Na prática, parte do valor pago pelo tomador vai direto para o governo, e o que cai na conta PJ já vem líquido desse imposto. Isso muda o caixa: quem está acostumado a receber o valor cheio e pagar o imposto depois precisa se adaptar. Veja split payment na saúde.
28. Casal de médicos: as finanças da família com duas PJs
Quando os dois são médicos, é comum cada um ter a própria empresa, ou os dois serem sócios de uma só. Em qualquer caso:
- cada empresa tem a sua conta PJ e a sua contabilidade;
- as retiradas de cada um vão para a conta PF de cada um, ou para uma conta conjunta da família;
- as despesas da casa saem da conta PF, nunca de uma das PJs;
- o limite de R$ 50 mil por mês de lucros vale por sócio e por empresa, o que dá flexibilidade ao planejamento;
- com patrimônio crescente, avaliem juntos a holding.
29. Ferramentas que ajudam
- Conta PJ com subcontas para a reserva de impostos.
- Planilha de fluxo de caixa ou um sistema financeiro simples.
- Emissor de notas integrado à contabilidade.
- Calendário de vencimentos na agenda do celular.
- Calculadoras gratuitas: Fator R, distribuição de lucros e Simples × Presumido.
30. Já misturei tudo. Como regularizar?
Se as contas estão misturadas há meses ou anos, não entre em pânico: na maioria dos casos dá para organizar. O caminho:
- Levante os números: notas emitidas pela empresa, extratos da conta PJ e da conta PF e as retiradas feitas no período.
- Identifique os desvios: pagamentos de notas da empresa que caíram na conta pessoal, despesas pessoais pagas pela empresa e transferências sem nome.
- Reclassifique com a contabilidade: parte das transferências pode ser registrada como pró-labore ou distribuição de lucros, desde que haja lucro e documentação.
- Ajuste o que for preciso: em alguns casos, é necessário retificar declarações ou pagar impostos em atraso. Quando há algo a pagar, regularizar antes de qualquer fiscalização (por denúncia espontânea) evita a multa de ofício, que é bem maior.
- Comece o mês seguinte do jeito certo: aplique o plano de 30 dias deste guia.
O pior caminho é deixar como está. Cada ano misturado aumenta o trabalho de regularizar e o risco com a Receita.
31. O que muda nas finanças conforme o regime
| Simples Nacional | Lucro Presumido | |
|---|---|---|
| Imposto | Um DAS por mês, até o dia 20 | Guias mensais e trimestrais |
| Pró-labore | Em torno de 28% do faturamento, para o Fator R | Em geral mais baixo, com 20% de INSS patronal |
| Limite isento de lucros sem contabilidade completa | Presunção de 32% menos o IRPJ do DAS | Base presumida menos os impostos federais |
| Reserva de impostos | Varia com a faixa dos últimos 12 meses | Mais estável, de cerca de 13% a 16% |
| Ponto de atenção | Manter o Fator R todo mês | Controlar o adicional de IRPJ e o trimestre |
Para entender qual regime é o seu, veja o guia completo do médico PJ e compare na calculadora de Simples × Presumido.
32. O calendário de retiradas do ano
| Quando | O que fazer com as retiradas |
|---|---|
| Todo mês, dia fixo | Pró-labore |
| Todo mês, depois de pagar impostos e despesas | Lucros do mês, com base no caixa e na contabilidade |
| Fim de cada trimestre | Conferir o lucro acumulado e ajustar as distribuições |
| Outubro e novembro | Projetar o lucro do ano e a renda total da família (IR mínimo acima de R$ 600 mil) |
| Dezembro | Fechar o ano: distribuir o saldo de lucros dentro do limite de R$ 50 mil por mês por sócio |
| Fevereiro e março | Informe de rendimentos da empresa e conferência para o IR |
Distribuir de forma regular, mês a mês, costuma ser melhor que acumular e retirar tudo de uma vez, porque evita passar do limite mensal de R$ 50 mil.
33. O que continua na pessoa física
Separar as contas não significa levar tudo para a empresa. Várias despesas devem continuar na pessoa física, e algumas reduzem o seu IR na declaração completa:
- Saúde da família: consultas, exames e plano de saúde pagos na pessoa física são dedutíveis no IR, sem limite.
- Educação: escola e faculdade dos dependentes, dedutíveis até o limite anual.
- Previdência privada PGBL: dedutível até 12% da renda tributável. Para o médico PJ, a renda tributável é basicamente o pró-labore (os lucros são isentos), o que limita o benefício.
- Pensão alimentícia judicial e dependentes.
- Moradia, alimentação, lazer e carro da família: não são dedutíveis e não devem ir para a empresa.
Guarde os comprovantes dessas despesas na pessoa física: eles são usados na declaração e cruzados com a DMED dos prestadores.
34. Perguntas para fazer ao seu contador
- Qual deve ser o meu pró-labore, e em que dia ele é pago?
- Quanto eu posso distribuir de lucro por mês com isenção?
- Vocês fazem contabilidade completa, para eu poder distribuir todo o lucro?
- Quanto devo separar de cada recebimento para os impostos?
- O que vocês precisam receber de mim todo mês?
- Como fica a minha renda total para o IR mínimo da Lei 15.270?
- Há algum valor recebido na conta pessoal que precisamos regularizar?
- Como o split payment da reforma vai mudar o meu caixa?
35. Um mês completo na prática
Veja como fica o mês do caso 2 (R$ 30 mil de faturamento no Simples), com as contas separadas. As datas são ilustrativas.
| Dia | O que acontece | Conta |
|---|---|---|
| 1º | Emissão das notas do mês anterior para os três tomadores | Empresa |
| 5 | Pagamento do pró-labore líquido (cerca de R$ 6.329) | PJ → PF |
| 10 | Entrada do primeiro hospital; 15,5% vai para a reserva de impostos | PJ |
| 15 | Pagamento da contabilidade, do sistema e da anuidade parcelada do CRM | PJ |
| 20 | Pagamento do DAS (cerca de R$ 2.580) e do INSS e do IR do pró-labore, com a reserva | PJ |
| 25 | Entrada da clínica e do segundo hospital, com reserva de impostos | PJ |
| 30 | Conferência do fluxo de caixa e distribuição de lucros do mês (cerca de R$ 18 mil) | PJ → PF |
| Todo o mês | Despesas da casa, escola e lazer | PF |
Se um hospital atrasar, a distribuição de lucros do mês é menor e o saldo fica para quando o pagamento entrar. O pró-labore e os impostos continuam no dia certo, porque saem do caixa e da reserva.
36. Quanto dinheiro deixar parado na empresa
Não existe um valor único, mas há uma lógica:
- Reserva de impostos: sempre o valor dos impostos do mês e dos que ainda vão vencer.
- Caixa operacional: de 1 a 2 meses das despesas fixas da empresa, para cobrir atrasos e glosas.
- Investimentos planejados: se a empresa vai comprar um equipamento ou reformar o consultório, o valor pode ficar aplicado na própria PJ.
- O restante pode ser distribuído como lucro e investido na pessoa física, onde há produtos isentos e mais liberdade.
Deixar muito dinheiro sem destino na empresa não traz vantagem e pode atrapalhar o planejamento da Lei 15.270, se depois for preciso distribuir tudo de uma vez.
37. O que a separação protege, e o que não protege
Separar as contas é a base da proteção do seu patrimônio pessoal, mas ela tem limites. Entenda o que muda:
| Situação | Com as contas separadas |
|---|---|
| Dívida comum da empresa com fornecedor | Em regra, cobrada só da empresa |
| Dívida trabalhista de funcionário da empresa | Cobrada da empresa; o sócio pode ser chamado se a empresa não pagar, mas a separação dificulta abusos |
| Dívida tributária da empresa | Cobrada da empresa; o sócio administrador pode responder em casos de infração à lei |
| Processo por erro profissional | A responsabilidade do médico é pessoal e não é afastada pela empresa |
| Fiscalização da Receita | Movimentações coerentes com notas e declarações reduzem muito o risco |
Ou seja: a separação evita que a confusão patrimonial abra a porta para o seu patrimônio, mas não substitui o seguro de responsabilidade civil, nem um planejamento patrimonial quando os bens crescem. Para isso, veja a holding médica.
38. Como pedir aos tomadores que paguem na conta PJ
Muitos médicos continuam recebendo na conta pessoal só porque o cadastro antigo no hospital ou na clínica nunca foi atualizado. Para mudar:
- Envie ao setor financeiro ou de credenciamento o cartão do CNPJ, os dados bancários da conta PJ e, se for do Simples, a comprovação da opção.
- Peça a atualização do cadastro de fornecedor ou prestador, com a data a partir da qual vale a conta nova.
- Confira no primeiro pagamento se o valor caiu na conta PJ e se as retenções estão corretas.
- Guarde o e-mail ou o protocolo da solicitação.
39. Erros mais comuns ao separar PF e PJ
- Abrir a conta PJ e continuar usando tudo como antes.
- Receber de pacientes particulares no CPF por atendimentos da empresa.
- Pró-labore irreal: baixo demais prejudica o Fator R e o INSS; alto demais aumenta o IR.
- Distribuir lucros sem contabilidade, perdendo a isenção.
- Usar um único cartão para tudo, o que impede a conciliação.
- Gastar a reserva de impostos e atrasar o DAS.
- Distribuir com base em notas ainda não pagas.
- Distribuir lucros com débitos federais em aberto.
- Retirar mais de R$ 50 mil por mês de um sócio só sem planejamento.
- Não envolver o contador e tentar organizar sozinho.
40. Mitos e verdades
- “Não é obrigatório ter conta PJ.” Verdade, não há lei que obrigue. Mas, na prática, sem ela é quase impossível comprovar o faturamento, os lucros e a separação patrimonial.
- “Pagar despesas pela empresa reduz imposto.” No Simples e no Presumido, não: o imposto é sobre o faturamento. O ganho é organizar e comprovar o lucro.
- “Lucro é sempre isento.” Até R$ 50 mil por mês por empresa e por sócio, e desde que comprovado. Acima disso, há retenção de 10%.
- “Se o dinheiro é meu, posso movimentar como quiser.” Depois de distribuído, sim. Antes, ele é da empresa.
- “Banco digital não serve para PJ.” Mito. Serve bem, desde que tenha extrato para a contabilidade, Pix e boletos.
41. Checklist mensal e anual
Todo mês
- Todas as notas emitidas e recebidas na conta PJ.
- Reserva de impostos separada.
- Pró-labore pago no dia combinado.
- Impostos pagos no vencimento.
- Extrato e comprovantes enviados à contabilidade.
- Lucros distribuídos com registro.
Todo ano
- Informe de rendimentos da empresa (pró-labore e lucros).
- Declaração de IR coerente com as retiradas.
- Revisão do regime tributário e do pró-labore.
- Planejamento da distribuição de lucros com a Lei 15.270.
- Revisão das reservas e dos investimentos.
42. Glossário
- Antecipação de lucros: distribuição feita durante o ano, antes do fechamento.
- Conciliação bancária: conferência entre o extrato e os lançamentos da contabilidade.
- Confusão patrimonial: mistura entre o patrimônio da empresa e o do sócio.
- Contabilidade completa: escrituração com livro diário e balanço, que comprova o lucro.
- Desconsideração da personalidade jurídica: quando o juiz cobra dívidas da empresa no patrimônio do sócio.
- Distribuição disfarçada de lucros: retirada de dinheiro da empresa sem registro, como o pagamento de despesas pessoais.
- DMED: declaração anual dos pagamentos de pacientes pessoa física.
- e-Financeira: informação que os bancos enviam à Receita sobre as movimentações das contas.
- Informe de rendimentos: documento anual com o pró-labore e os lucros pagos ao sócio.
- Mútuo: contrato de empréstimo entre a empresa e o sócio.
- Pró-labore: remuneração do sócio pelo trabalho na empresa.
- Reserva de impostos: valor separado a cada recebimento para pagar os impostos.
- Variação patrimonial a descoberto: quando o patrimônio cresce mais do que a renda declarada.
Fontes e atualização
Base legal: Código Civil, art. 50 (desconsideração da personalidade jurídica); Lei 9.249/1995, art. 10 (lucros); Lei 15.270/2025 (retenção de 10% e IR mínimo); LC 123/2006 (Simples Nacional); Lei 4.357/1964, art. 32 (distribuição com débitos); Decreto 9.580/2018 (Regulamento do IR). Os valores dos casos são aproximados. Revisado em 03/10/2026 por Wanderson Pires, contador e tributarista, CRC SP 280216/O-0.

“Criamos a Move para transformar a contabilidade médica em ferramenta de crescimento. Aqui, o foco é permitir que o médico empreenda com segurança, pague menos impostos e tenha tranquilidade para cuidar de vidas.”
Wanderson PiresContador e Tributarista · CRC SP 280216/O-0Perguntas frequentes sobre separar finanças PF e PJ
Médico PJ precisa de conta PJ?
Não há lei que obrigue, mas é essencial. Sem ela, fica muito difícil comprovar o faturamento, os lucros e a separação entre o patrimônio da empresa e o seu.
Posso receber o pagamento do hospital na conta pessoal?
Não deve. Se a nota foi emitida pela empresa, o pagamento deve cair na conta da empresa.
Como passo dinheiro da PJ para a PF?
Por pró-labore (com INSS e IR) e por distribuição de lucros, registrados pela contabilidade.
Quanto posso tirar de lucro por mês sem imposto?
Até R$ 50 mil por mês por empresa e por sócio, desde que o lucro esteja comprovado. Acima disso, há retenção de 10% pela Lei 15.270/2025.
Preciso de contabilidade completa para distribuir lucros?
No Simples, sem contabilidade completa, o valor isento é limitado a uma presunção sobre o faturamento. Com contabilidade completa, todo o lucro apurado pode ser distribuído com isenção.
Quanto devo separar para os impostos?
Depende do regime: de 6% a 13,5% no Simples Anexo III, de 15,5% a 19,5% no Anexo V e cerca de 13% a 16% no Lucro Presumido, mais o INSS e o IR do pró-labore.
Posso pagar o meu carro com dinheiro da PJ?
Só se o carro estiver no nome da empresa e for usado de forma predominante na atividade. O carro da família deve ficar na pessoa física.
Pagar despesas pela empresa reduz o imposto?
No Simples e no Lucro Presumido, não, porque o imposto incide sobre o faturamento. O ganho é organizar o caixa e comprovar o lucro.
O que é confusão patrimonial?
É a mistura entre as finanças da empresa e as do sócio. Pode levar o juiz a desconsiderar a empresa e cobrar dívidas no patrimônio pessoal (Código Civil, art. 50).
O que é distribuição disfarçada de lucros?
É a retirada de dinheiro da empresa sem registro, como pagar despesas pessoais pela conta PJ. A Receita pode cobrar imposto e multa.
Paciente particular pode pagar no meu Pix pessoal?
Se o atendimento é da empresa, o pagamento deve cair na conta PJ, com nota fiscal e o CPF do paciente, que entra na DMED.
Posso pegar dinheiro emprestado da minha empresa?
Pode, com contrato de mútuo, prazo de devolução e, em geral, IOF. Sem contrato, a retirada pode ser tratada como rendimento.
A empresa pode distribuir lucros com impostos atrasados?
Não deve. A empresa com débitos federais em aberto, sem garantia, não pode distribuir lucros, sob pena de multa (Lei 4.357/1964, art. 32).
Banco digital serve para PJ médica?
Sim, desde que permita extrato para a contabilidade, Pix e boletos na conta da empresa.
A Receita vê as minhas contas bancárias?
Vê as movimentações acima de R$ 2 mil por mês na pessoa física e R$ 6 mil na pessoa jurídica, informadas pelos bancos na e-Financeira, e cruza com as notas e as declarações.
Como declaro o pró-labore e os lucros no IR?
O pró-labore entra como rendimento tributável e os lucros como rendimento isento, com base no informe de rendimentos da empresa.
Já misturei as contas por anos. Tem solução?
Na maioria dos casos, sim. A contabilidade levanta os números, reclassifica as transferências como pró-labore ou lucros quando possível e regulariza o que for preciso, de preferência antes de qualquer fiscalização.
PGBL vale a pena para o médico PJ?
A dedução é de até 12% da renda tributável, que para o médico PJ é basicamente o pró-labore. Por isso o benefício costuma ser menor do que para quem é CLT ou autônomo.
Quanto dinheiro devo deixar na conta da empresa?
A reserva dos impostos, de 1 a 2 meses de despesas fixas e o valor de investimentos já planejados. O restante pode ser distribuído como lucro.
Posso distribuir lucros toda semana?
Pode, desde que haja lucro e registro. Mas o mais comum e prático é uma distribuição por mês, depois de pagar impostos e despesas.
O que acontece se o hospital atrasar o pagamento?
O pró-labore e os impostos continuam no dia certo, com o caixa e a reserva. A distribuição de lucros do mês fica menor e o saldo é distribuído quando o pagamento entrar.
Recebi um plantão da empresa no CPF. E agora?
Fale com a contabilidade. Em alguns casos é possível regularizar, mas o ideal é que o pagamento já caia na conta PJ.
Ferramentas gratuitas para a sua PJ

Mande a sua pergunta. Eu respondo pessoalmente.
Falar com o WandersonConteúdo informativo, com base na legislação vigente na data de publicação. Cada caso deve ser analisado com os números da própria empresa.


