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Médico Recém-Formado: SLU, EI ou Autônomo em 2026?

Médico Recém-Formado: SLU, EI ou Autônomo em 2026?
Médico Recém-Formado: SLU, EI ou Autônomo em 2026?
Wanderson Pires
Conteúdo validado porWanderson Pires · Contador e Tributarista · CRC SP 280216/O-0Publicado em 03/07/2026 · Revisado em 02/10/2026
Resposta rápidaPara o médico recém-formado, a escolha é entre seguir como autônomo (IR de até 27,5% mais INSS, em geral 30% ou mais de tributos sobre a renda) ou abrir uma empresa: SLU (a mais comum, com patrimônio separado) ou empresário individual. No Simples com Fator R, a carga costuma ficar entre 11% e 13%. Abrir a empresa compensa quando já há renda recorrente que cubra o custo de contador e taxas. Médico não pode ser MEI.

Terminou a residência, começou os plantões, o primeiro contrato de PJ apareceu — e junto veio a pergunta que quase ninguém explica direito: eu abro empresa agora ou continuo como autônomo? E se abrir, o que é isso de SLU, EI, LTDA que aparece no Google?

A resposta curta é: depende do seu faturamento, do tipo de contratante (hospital, clínica, particular) e de quanto você quer separar a sua vida financeira pessoal da profissional. A resposta longa vem abaixo — sem tabela pronta, porque a decisão que serve para um plantonista de UTI não é a mesma que serve para um médico de consultório particular.

Os três caminhos possíveis para o médico recém-formado

Antes de qualquer conta de imposto, é preciso entender o que cada opção é juridicamente. Muita confusão começa aqui, porque os termos se misturam em tabelas prontas na internet.

1. Autônomo (pessoa física)

Você continua sendo só você — nenhum CNPJ, nenhuma empresa. Emite RPA (Recibo de Pagamento a Autônomo) ou recebe direto como PF. A tributação segue a tabela do Imposto de Renda Pessoa Física: alíquota progressiva que em 2026 chega a 27,5% sobre o que passa da faixa de isenção mensal (R$ 5.000 para rendimentos tributáveis, com regras específicas para o desconto simplificado).

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Some a isso o INSS de 20% sobre o rendimento, limitado a cerca de R$ 1.695 por mês (20% do teto de R$ 8.475,55) e o ISS de 2% a 5% (dependendo do município) se você atender pacientes particulares. Na prática, um médico autônomo com faturamento razoável perde entre 25% e 40% só em tributos federais e municipais — sem contar despesas de consultório, materiais, etc.

2. EI — Empresário Individual

Aqui já entra um CNPJ. O EI é a pessoa física exercendo atividade empresarial com registro na Junta Comercial. Simples de abrir, sem sócios, custo baixo de manutenção. Não há separação patrimonial: seu CPF e seu CNPJ respondem pelas mesmas dívidas — se der um problema na empresa, seu patrimônio pessoal (carro, imóvel) pode ser acionado.

O EI pode optar pelo Simples Nacional. Para médico, entra no Anexo III ou V dependendo do Fator R — a mesma lógica que vale para qualquer PJ médica.

3. SLU — Sociedade Limitada Unipessoal

Também é um CNPJ, mas com estrutura jurídica de sociedade limitada, só que com um único sócio (você). A diferença essencial em relação ao EI é a separação patrimonial: o patrimônio da empresa responde pelas dívidas da empresa; o seu, pelo seu. Se algo der errado, o carro que está no seu nome não é penhorado por dívida da SLU (com as ressalvas legais).

A SLU também opta pelo Simples ou Lucro Presumido, exatamente como uma LTDA de dois ou mais sócios — a única diferença estrutural é o número de sócios. Por isso, quem já ouviu falar de LTDA e SLU e ficou confuso: são a mesma coisa juridicamente, só muda a composição societária.

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Quanto isso custa, na prática

Aqui está uma simulação simplificada para um médico com R$ 20.000/mês de faturamento (R$ 240.000/ano). Números arredondados só para dar ordem de grandeza — a conta real depende de despesas, retenções, município e regime.

RegimeCarga tributária estimadaO que fica no bolso
Autônomo (PF)~30-33% (IR + INSS + ISS)~R$ 13.400/mês
EI no Simples (Anexo III, Fator R OK)~11-13% (DAS + INSS pró-labore)~R$ 17.400/mês
SLU no Simples (Anexo III, Fator R OK)~11-13% (DAS + INSS pró-labore)~R$ 17.400/mês

A diferença entre autônomo e PJ com Simples otimizado pode passar de R$ 40.000 por ano no bolso para um médico com faturamento de R$ 20.000/mês. Para faturamentos maiores, a diferença cresce.

Entre EI e SLU no Simples, a tributação é praticamente a mesma. A escolha entre eles é jurídica, não tributária: proteção patrimonial, imagem de mercado, transferência futura de cotas para sucessores. Nesses três pontos, a SLU ganha.

Quando cada opção faz sentido

Continuar como autônomo pode fazer sentido quando:

  • Faturamento ainda é baixo e instável (< R$ 5-8 mil/mês)
  • Você é celetista em hospital e faz plantões esporádicos como PF
  • Não há previsão de crescimento no curto prazo e o custo de manter empresa (contador, taxas) inviabiliza a economia

Abrir EI pode fazer sentido quando:

  • Você quer começar rápido, com custo mínimo, e não tem patrimônio significativo a proteger
  • É uma transição — testando a viabilidade da PJ antes de migrar para SLU
  • Já entendeu que a separação patrimonial pode ser feita depois (transformação de EI em SLU é possível)

Abrir SLU faz sentido quando:

  • Faturamento já justifica a estrutura (a partir de R$ 8-10 mil/mês, na maioria dos casos)
  • Você tem patrimônio pessoal que quer proteger (imóveis, aplicações)
  • Vai atender via hospital, clínica ou operadora — muitos contratantes só aceitam PJ, e alguns fazem distinção entre EI e sociedade
  • Pensa em ter sócios no futuro (a transformação de SLU em LTDA é simples)
Quanto custa abrir a sua PJ?Custos e etapas para abrir a empresa.
Simular a abertura

Erros comuns nessa decisão

“Vou continuar autônomo porque é mais simples.” Simples no papel, caro no fim do ano. Um médico com R$ 15-20 mil/mês de faturamento como autônomo paga, em impostos, o valor de meses inteiros de faturamento que teria como PJ bem estruturada.

“Abro EI porque é mais barato de manter.” A diferença de custo mensal entre EI e SLU é pequena (contabilidade e taxas praticamente iguais). Trocar proteção patrimonial por R$ 50-100 de economia mensal é uma escolha ruim para quem tem qualquer patrimônio.

“Escolhi PJ pelo imposto, esqueci do resto.” Abrir CNPJ envolve mais do que impostos: emissão de nota fiscal, inscrição no CRM-PJ (obrigatória no CREMESP para atuar como PJ médica), definição de CNAE correto (veja quais códigos usar por especialidade), enquadramento no Simples ou Lucro Presumido e definição de pró-labore. Cada uma dessas peças mal escolhida cria problema depois.

“Segui a orientação de um colega.” O colega tem faturamento diferente, especialidade diferente, contratante diferente, patrimônio diferente. A conta que fecha para ele quase nunca fecha para você.

O que fazer, na prática

Para um médico recém-formado, o processo é sempre o mesmo:

  1. Levantar faturamento realista dos próximos 12 meses — não o “sonho”, o mínimo esperado com o que já está contratado ou em vias de contratar
  2. Identificar contratantes — hospital exige PJ? A operadora paga PF? Você atende particular também?
  3. Simular os três cenários (autônomo, EI, SLU) com o faturamento real, incluindo custos de manutenção da empresa
  4. Decidir sobre proteção patrimonial — você tem bens no seu nome que precisa proteger?
  5. Definir pró-labore se for PJ — o valor certo influencia o Fator R e o regime tributário aplicável

Esse é o tipo de decisão que impacta o médico pelos próximos anos. Escolher errado no começo cria retrabalho: transformar EI em SLU depois é possível, mas envolve novo contrato social, atualização em CRM, contratos, bancos, notas em aberto. Vale investir tempo na decisão inicial.

Se você quer entender o passo a passo completo depois de decidir o formato, o guia sobre como abrir CNPJ para médico em 2026 cobre desde a escolha do CNAE até a inscrição no CREMESP.

Wanderson Pires

“Criamos a Move para transformar a contabilidade médica em ferramenta de crescimento. Aqui, o foco é permitir que o médico empreenda com segurança, pague menos impostos e tenha tranquilidade para cuidar de vidas.”

Wanderson PiresContador e Tributarista · CRC SP 280216/O-0

Perguntas frequentes sobre médico recém-formado

Médico recém-formado deve abrir empresa?

Compensa quando já há renda recorrente como PJ (plantões, consultório) que cubra o custo de manter a empresa.

SLU ou empresário individual?

A SLU separa o patrimônio pessoal das dívidas da empresa, com custo parecido. Por isso é a escolha mais comum.

Médico pode ser MEI?

Não. A medicina não está na lista de ocupações permitidas ao MEI.

Quanto paga o autônomo?

IR pela tabela progressiva (até 27,5%) e INSS de 20% até o teto, além do ISS do município.

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Wanderson Pires
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Falar com o Wanderson

Artigo publicado em julho de 2026, considerando a tabela de IR vigente (tabela progressiva mensal e isenção para rendimentos de até R$ 5.000 a partir de 2026, pela Lei 15.270/2025), a estrutura do Simples Nacional (LC 123/2006 e LC 155/2016) e as regras de sociedade limitada previstas no Código Civil. A legislação tributária pode mudar; a escolha da estrutura empresarial deve considerar sempre o caso concreto.

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